Academia de Medicina de São Paulo realiza simpósio em homenagem aos seus 130 anos
Últimas Notícias

Academia de Medicina de São Paulo realiza simpósio em homenagem aos seus 130 anos

Na última sexta-feira, 7 de março, a Academia de Medicina de São Paulo promoveu simpósio em homenagem aos 130 anos de sua fundação. O evento foi realizado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e reuniu médicos e advogados abordando questões pertinentes a ambas as áreas.

O primeiro palestrante foi o advogado Celso Fernandes Campilongo, que discursou sobre “Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo a Caminho do Segundo Centenário. Retrospectiva de sua Gloriosa Trajetória”. Ele salientou os vínculos entre Direito e Medicina. “Do ponto de vista das leis, os juristas incorporaram da literatura médica o conceito de constituição, algo que é essencial. Neste caso, não para o corpo humano, mas para o funcionamento das regras da sociedade. Por aí nós vamos vendo esses entrelaçamentos, que são incessantes.”

Em seguida, o presidente da AMSP, Helio Begliomini, relembrou os 130 anos de história da instituição. Recordando a trajetória de seus membros, o médico fez uma série de paralelos entre o desenvolvimento da Academia e o crescimento da cidade de São Paulo. “Ao longo destes anos, a Academia de Medicina de São Paulo teve 89 presidentes, sucessores de Pereira Barreto, seu fundador e primeiro presidente. Assim, a entidade foi dirigida por uma legião de cultos, éticos e renomados.”

Seguindo o cronograma, o vice-presidente da AMSP, Edmund Chada Baracat, descreveu os “Desafios na Formação Médica na Atualidade”. De acordo com o especialista, a distribuição de médicos no País é desigual e apresenta uma defasagem preocupante. “Outro fato que é grave na minha visão é a oferta de cursos de pós-graduação que não equivalem ao nosso título de especialista, que é emitido pela Associação Médica Brasileira em conjunto com as sociedades de especialidades”, manifestou.

Complementando o assunto, o presidente da Associação Médica Brasileira, César Eduardo Fernandes, elucidou o seu ponto de vista a respeito da “Avaliação Crítica da Qualidade dos Egressos de Escolas Médicas no Brasil”. Ele indicou que, de acordo com os panoramas da Demografia Médica, a expectativa é que até 2035 o Brasil tenha mais de um milhão de médicos em atuação. “Não há outro caminho, temos que avaliar de maneira correta o produto final, assim como fez a OAB com o Exame da Ordem dos Advogados do Brasil. Tenho a impressão de que se nós fizermos um exame de proficiência médica, certamente teremos uma taxa de aprovação muito ruim.”

SUS e judicialização

O médico e ambientalista Gilberto Natalini traçou a trajetória do Sistema Único de Saúde no Brasil. Ele recordou que o SUS surgiu a partir de uma grande coluna de brasileiros que batalharam, propuseram e implantaram a saúde pública no País, adaptada de acordo com a realidade da conjuntura social da população brasileira. “O SUS é considerado um dos melhores sistemas de vacinação do mundo e o Brasil ganhou o prêmio de melhor programa de prevenção e combate à Aids. O último exemplo que o SUS nos deu, mesmo com todas as dificuldades, foi durante a pandemia da Covid-19.”

Por sua vez, o juiz Richard Pae Kim abordou a “Judicialização da Saúde: Desafios e Soluções”. O magistrado lembrou que, recentemente, o Supremo Tribunal Federal entendeu a necessidade de haver a comprovação na solicitação de medicamentos no âmbito da saúde pública. “Nós passamos a ter uma barreira para que, pelo menos, haja a prova de que houve a solicitação junto à administração pública daquele pleito ou mesmo junto ao plano de saúde, no caso da saúde suplementar. Isso já é um avanço na jurisprudência hoje no País, que talvez acabe diminuindo as demandas judiciais.”

Dando continuidade às apresentações, o procurador Arnaldo Hossepian debateu sobre “A Importância da Ferramenta E-NatJus/CNJ na Qualificação da Judicialização da Saúde”. Segundo ele, a vinda dos Nats é algo completamente definitivo, que já vem sendo elaborado há muito tempo para que a sua execução possa ser feita com segurança. “Mais do que nunca, o Núcleo de Apoio Técnico do Poder Judiciário do NatJus é uma ferramenta dos professores e senhores médicos, que veio para ficar, e a sua implementação é uma constante. O trabalho é hercúleo e eu tenho certeza de que a nossa caminhada é boa e a luta muito estimulante.”

Por fim, a Secretária de Estado da Saúde, em exercício, Priscilla Reinisch Perdicaris, indicou os panoramas da “Saúde no Estado de São Paulo – Conquistas e Necessidades”. Ela reforçou que o financiamento da Saúde precisa ser discutido com mais profundidade para possibilitar o acesso universal. “A Saúde no Brasil atende 100% da população, com as suas ações de vigilância sanitária, de vacinação e de planejamento. Muitas vezes, as pessoas não entendem isso como uma despesa de Saúde, mas é uma despesa muito importante.”

Após o intenso dia de aprendizados, o evento foi finalizado com um jantar de gala no Clube Atlético Paulistano, que contou com a presença do presidente da Associação Paulista de Medicina, Antonio José Gonçalves, e permitiu grande congraçamento e interação entre os participantes.

Texto: Julia Rohrer

Fotos: Alexandre Diniz

Sede da APM

Av. Brigadeiro Luís Antônio, 278 — 01318-000, Bela Vista, São Paulo, SP